sábado, 14 de agosto de 2021

DONA MENININHA DO ALFENIM RECEBE TÍTULO DE NOTÓRIO SABER EM CULTURA POPULAR PELA UPE

Doceira é a única do Estado a receber o título na categoria doçaria




A doçaria popular do Estado de Pernambuco agora tem uma representante Honoris Causa. Maria Belarmina, popular “Dona Menininha do Alfenim”, doceira do município de Agrestina, no Agreste, recebeu ontem (12) o Título de Notório Saber em Cultura Popular, concedido pela Universidade de Pernambuco (UPE). Menininha do Alfenim, que também é Patrimônio Vivo de Pernambuco, foi a única representante do Estado a receber o título na categoria doçaria.

A solenidade de outorga dos títulos foi realizada no Auditório da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), com transmissão ao vivo pelo youtube da UPE. A cerimônia foi conduzida pelo pró reitor de Extensão e Cultura, Dr° Luís Alberto Rodrigues, representando o magnífico reitor da UPE, Dr° Pedro Henrique de Barros Falcão, pelo coordenador de Patrimônio Imaterial da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Marcelo Renan, representando o presidente da fundação, Marcelo Canuto, e pela coordenadora do Núcleo de Diversidades e Identidades Sociais da UPE, Dra° Maria Lana. Esses foram os primeiros títulos de Notório Saber em Cultura Popular concedidos pela instituição, que celebra 30 anos de fundação.






Vinte e cinco mestres, de áreas diversas de expressão artística, como artesanato, dança, poesia, teatro, luta corporal, doçaria, saúde popular e educação, receberam o título honorífico. O título Honoris Causa é título de honra concedido por uma universidade de prestígio a uma personalidade de grande destaque ou importância por seu trabalho. Dona Menininha do Alfenim, de 94 anos, representada pelo seu filho, Cazuza do Alfenim, recebeu o reconhecimento acadêmico ao lado de grandes nomes da cultura pernambucana, como Maestro Duda, a artista circense, Índia Morena, o mestre do reisado e cordelista, Gonzaga de Garanhuns, e a rainha da ciranda brasileira, Lia de Itamaracá. “Eu estou muito feliz por esse prêmio”, agradeceu a mestra doceira durante a cerimônia, por meio de participação virtual.

Sobre o título:
Criado pela resolução N° 023 de 2019, do Conselho Universitário da Universidade de Pernambuco (CONSU), o título é concedido à pessoas detentoras ou não de títulos acadêmicos, desde que tenha comprovada uma destacada experiência em produção em pelo menos uma das linguagens da arte e da cultura, e que visibilizam o saber do povo ao preservar suas tradições e manifestações. O edital de inscrição aos títulos de doutor Honoris Causa concedido pela universidade foi lançado em fevereiro de 2020 pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec/UPE), que recebeu inscrições individuais e também inscrições realizadas pela Fundarpe. As categorias foram definidas segundo os critérios da Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial da Organização das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura (Unesco). Os nomes foram selecionados pela Proec em abril de 2021, após avaliação da documentação exigida, incluindo histórico e memorial de vida e reconhecimento.

De acordo com o magnífico reitor da Universidade de Pernambuco, Dr° Pedro Henrique de Barros Falcão, este foi mais um passo importante para a academia, para os personagens da cultura pernambucana e para a sociedade. “A concessão do título de Notório Saber aos 25 mestres cumpre com a valorização da história dos produtores de cultura nas diferentes regiões do estado, e a salvaguarda dessas expressões culturais. Dessa forma, institucionalizamos a possibilidade de trocas entre os saberes da cultura popular com a universidade e fomentamos o desenvolvimento de pesquisas,” disse.