terça-feira, 8 de setembro de 2026

AUMENTO DO USO DE CIGARRO ELETRÔNICO ENTRE ADOLESCENTES E JOVENS ACENDE ALERTA NO BRASIL

 Olá! Segue release do NOA (Núcleo de Oncologia do Agreste) sobre o aumento do uso de cigarro eletrônico entre adolescentes e jovens no Brasil.


Imagem: Freepik

Apesar da redução no número de fumantes adultos, uso de dispositivos por nova faixa etária preocupa. Rodrigo Santiago, cirurgião torácico do NOA, apresenta os riscos para a saúde



A redução no número de fumantes adultos no Brasil é considerada um avanço significativo para as políticas de controle de tabagismo. O cenário entre o público adolescente e jovem, entretanto, sinaliza um alerta entre os especialistas. Dados recentes apontam um aumento expressivo no uso de cigarros eletrônicos por nova faixa etária. O percentual de fumantes ativos de cigarros convencionais ou eletrônicos, entre jovens de 16 a 24 anos, chega a 19%. 

Rodrigo Santiago, cirurgião torácico do NOA (Núcleo de Oncologia do Agreste), em Caruaru, afirma que os números indicam a necessidade de revisão das estratégias de conscientização desse público. “Apesar do tabagismo, como um todo, vir apresentando um decréscimo, sobretudo entre as pessoas de 40 a 50 anos, vemos uma alta quantidade de jovens voltando a fumar, um índice muito alto, acima da média nacional, inclusive”, avalia.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, aponta que 18,5% dos estudantes brasileiros, de 13 e 17 anos, relataram já terem experimentado cigarro convencional, em 2024. O dado representa um decréscimo em relação a 2019, quando 22,6% disseram terem tido a experiência. Quanto aos cigarros eletrônicos, contudo, 22,5% afirmaram já terem experimentado, em 2024, mais do que o dobro dos 10,8% registrados em 2019.

A mudança no comportamento exige atenção. “Apesar das restrições impostas para a venda do cigarro e dos informes presentes nos maços, que mostram o quanto a pessoa pode ficar doente ao consumir esse tipo de produto, isso acende um alerta sobre quais medidas podemos tomar ou como modificar a estratégia de conscientização para essa população, uma vez que a realidade passou a ser outra”, expressa Rodrigo Santiago.

A popularização dos cigarros eletrônicos entre os mais jovens pode estar relacionada, na opinião do especialista, à influência das redes sociais. Um dos principais desafios apontados pelo especialista é combater a ideia de que o cigarro eletrônico seja uma alternativa segura ou menos prejudicial do que o convencional. “É um mito! O cigarro eletrônico não é menos maléfico. Existe, na verdade, uma equivalência ou até dano superior”. 

O médico explica que os dois produtos podem provocar consequências diferentes, inclusive em relação ao tempo de manifestação dos problemas de saúde. O cigarro convencional estando fortemente relacionado a doenças que podem aparecer após anos de exposição, como câncer de pulmão, de laringe e de boca; os dispositivos eletrônicos podem provocar consequências agudas, como lesões pulmonares.

“O eletrônico acarreta consequências agudas a curto prazo, até pela curva do tempo em que vem sendo usado. Outros resultados devem aparecer mais tarde”, antecipa o cirurgião torácico. Ele afirma ainda que a redução do consumo entre adultos não significa que o problema tenha sido solucionado. “Comparando o risco de uma pessoa tabagista com o de uma que não é, falamos de um aumento de 25 vezes na possibilidade de câncer de pulmão”.

O médico ressalta que isso não significa que todo fumante necessariamente desenvolverá a doença, mas que a exposição ao tabaco eleva de maneira significativa o risco. “A chance de desenvolver é infinitamente maior do que se você não fizer uso. Pode existir a questão da prevalência, o risco familiar e a questão genética, mas o fator ambiental favorece o desenvolvimento da doença”, aponta o especialista.

Para quem fuma há muitos anos, a recomendação do especialista é não adiar a decisão de abandonar o hábito. Segundo ele, mesmo pessoas que fumam há décadas podem obter benefícios ao interromper o consumo. “Alguém pode dizer que fuma há 20 ou 30 anos e parar agora não vai fazer diferença. Faz, sim. O melhor momento de parar é agora”, enfatiza Rodrigo Santiago

Ele reconhece, entretanto, que abandonar o cigarro não é uma decisão simples, principalmente por causa da dependência da nicotina. “A recomendação é buscar ajuda profissional. Existem diversas maneiras de fazer um tratamento multidisciplinar. Pode ser com um médico pneumologista e um psiquiatra com o auxílio de um psicólogo. Existem diversas ferramentas para ajudar na cessação do tabagismo”, orienta.

Além da prevenção e do tratamento da dependência, o acompanhamento médico é importante para pessoas que apresentam histórico significativo de tabagismo. Segundo o especialista, indivíduos com mais de 50 anos que fumam ou já fumaram devem conversar com um médico sobre a possibilidade de realizar o rastreamento do câncer de pulmão. “Não é necessário esperar aparecer um sintoma. O ideal é o médico fazer a tomografia de rastreio”.

O objetivo primordial é identificar possíveis alterações em uma fase inicial, já que o câncer de pulmão pode permanecer silencioso durante boa parte de sua evolução. “Vale indicar a realização de tomografia, sempre que necessário, a fim de obter um diagnóstico precoce, já que essa foi uma pessoa exposta ao tabagismo e que tem um risco aumentado de desenvolver a doença”, considera. 

O cirurgião também chama atenção para pessoas que deixaram de fumar há vários anos. Segundo ele, mudanças recentes nas orientações sobre rastreamento ampliaram a atenção para determinados grupos de ex-fumantes, considerando o histórico e a carga de exposição ao tabaco. “É uma informação importante que pode auxiliar nesse rastreio ou em uma investigação mais detalhada de doenças que são silenciosas”, destaca.

Mesmo quem não fuma, mas convive com fumantes, deve informar tal exposição ao médico. “O risco não é tão grande quanto para quem é tabagista ativo, mas é maior do que o de uma pessoa que não tem contato com o cigarro. Então, é uma informação importante para expor na consulta e que pode levar a uma investigação mais detalhada, seja pulmonar ou em outras áreas do corpo”, orienta.

QUEM É ADRIANO LUIZ?

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Caruaru, PE, Brazil
Formado em jornalismo pelo Unifavip. Pós-graduando em Audiovisual, tendências e mídias sociais no Uninassau. Radialista desde 2004. Mais de 20 anos na comunicação em Caruaru-PE.