sábado, 13 de junho de 2026

DAMARES ALVES DEFENDE EDUCAÇÃO DOMICILIAR E CITA DIREITO DOS TRABALHADORES

 


Senadora pede que o 'homeschooling' deixe de ser tratado como disputa ideológica para amparar famílias de profissionais sem acesso à infraestrutura escolar presencial adequada.




A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu na manhã da última quinta-feira (11), a regulamentação da educação domiciliar (homeschooling) no Brasil. A declaração ocorreu durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, que debate o Projeto de Lei 1.338/2022.


Para a parlamentar, o ensino domiciliar deve ser desvinculado de pautas ideológicas e tratado como um direito trabalhista, necessário para atender às novas dinâmicas econômicas e de mobilidade profissional.


Em seu discurso, Damares argumentou que a obrigatoriedade do ensino presencial afeta servidores públicos e profissionais da iniciativa privada transferidos para o exterior ou para regiões de fronteira.


Ela citou o caso de funcionários de apoio do Itamaraty enviados à China por períodos curtos. Segundo a senadora, sem salários que cubram os custos de escolas internacionais, esses trabalhadores frequentemente deixam os filhos no Brasil.


A parlamentar também mencionou servidores da Receita Federal lotados em locais remotos, como Chuí (RS) e Trombetas (PA), que enfrentam a falta de infraestrutura escolar adequada e acabam se separando das famílias. 


"Essas relações de trabalho não vão prosperar se a gente ainda tiver que obrigar a deixar a criança na escola formal presencial", afirmou.


Damares refutou o argumento de que a modalidade isola as crianças. Ela relatou sua experiência pessoal no Distrito Federal com o enteado de nove anos, diagnosticado com superdotação. À época, a rotina de transporte escolar exigia que o menino passasse até três horas diárias em vans.


Segundo a senadora, um grupo de famílias do mesmo condomínio cogitou contratar professores particulares para ensinar as crianças no local, mas a iniciativa foi barrada pela falta de amparo legal.


Ingresso na OCDE


O ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também foi utilizado como justificativa. 


A senadora ressaltou que cerca de 90% dos países membros do bloco já permitem a educação domiciliar e questionou a demora do Congresso Nacional em deliberar sobre o tema, afirmando que o país corre o risco de permanecer "na idade das trevas" da legislação educacional.


Como paralelo de ensino fora dos padrões tradicionais, Damares apontou o funcionamento de cursos superiores de enfermagem intercultural ministrados de forma descentralizada dentro de aldeias indígenas, projeto que, segundo ela, demonstra a viabilidade de modelos educacionais adaptados à realidade das comunidades.


O PL 1.338/2022, que regulamenta a prática no país, já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue em fase de instrução no Senado. A base governista e entidades ligadas à educação formal historicamente apresentam resistência ao texto, apontando riscos à socialização infantil e à proteção contra a violência doméstica.


Foto: Rafael Fogaça/AscomSDA


QUEM É ADRIANO LUIZ?

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Caruaru, PE, Brazil
Formado em jornalismo pelo Unifavip. Pós-graduando em Audiovisual, tendências e mídias sociais no Uninassau. Radialista desde 2004. Mais de 20 anos na comunicação em Caruaru-PE.