A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, multifatorial e progressiva, associada ao aumento do risco de diversas enfermidades, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. No Brasil, o cenário tem se tornado cada vez mais preocupante: o país enfrenta uma alta histórica nos índices de excesso de peso e obesidade entre a população adulta.
Dados recentes do Vigitel 2024, levantamento do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco à saúde nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, indicam que mais de 60% dos adultos estão acima do peso e que cerca de um em cada quatro brasileiros vive com obesidade. O número representa mais do que o dobro do registrado em 2006, quando o sistema começou a ser aplicado, evidenciando uma escalada contínua da doença ao longo das últimas duas décadas.
Para o médico Diego Rodrigues, especialista em emagrecimento, saúde e bem-estar, os números refletem um problema estrutural e silencioso.
“A obesidade não surge de forma isolada. Ela é resultado de uma soma de fatores que envolvem alimentação inadequada, sedentarismo, estresse, privação de sono e, muitas vezes, questões emocionais. Tratar a obesidade como escolha ou falta de força de vontade é um erro que atrasa o diagnóstico e o cuidado adequado”, destaca o especialista.
Segundo o médico, o crescimento da obesidade impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da população. “Estamos falando de uma doença crônica que reduz a expectativa de vida, aumenta o risco de outras patologias e sobrecarrega o sistema de saúde. O enfrentamento da obesidade passa por informação, acompanhamento médico, mudanças sustentáveis no estilo de vida e políticas públicas que incentivem hábitos mais saudáveis”, reforça Dr. Diego Rodrigues.
Além do aumento da obesidade, o Vigitel também aponta crescimento expressivo de doenças associadas, como diabetes e hipertensão, o que acende um alerta para a necessidade de ações preventivas mais eficazes. Especialistas defendem estratégias que vão desde a educação alimentar e o incentivo à atividade física até abordagens mais humanizadas e individualizadas no tratamento do excesso de peso.
O debate sobre a obesidade, cada vez mais presente na agenda da saúde, reforça a importância de compreender a condição como uma doença crônica, combatendo o estigma e ampliando o acesso à informação e ao cuidado especializado.

